quinta-feira, 27 de junho de 2013

Dia 1

24.10.1933

  Estava em casa, fazendo o termino do shabat, a porta abriu, dois guardas entraram fardados com uma faixa vermelha no braço, eu, meu pai e minha mãe fomos aprisionados e levados à Polônia, lá, nos separamos e ganhamos uniformes listrados. Fui empurrado por muitos mais até um enorme abrigo, parecido com um quartel, com um número enorme em cima ''17''
 Faltava poucos dias para o meu bar mitsvá e estava sem meus tefilin, os rabinos estavam fugindo e meus pais longe de mim, então percebi, o nazismo havia começado, estava preso por soldados e grades, dentro de um campo de extermínio.
Cheguei na minha cama, recebi um papel com o número 47835, o número na qual deveria se apresentar para trabalho no dia seguinte. Deitei na cama e comecei a fazer o shemá Israel:
''SHEMA ISRAEL ADONAI ELOHEINU ADONAI ECHAD''
 -Por favor, abaixe sua voz para rezar, se os guardas ouvirem, todos nós morreremos-Disse um homem na cama de baixo, com ar cansado e exausto.
-Me desculpe - disse eu, continuei a oração - Poderia me disser seu nome?
-Sou o Rabi Liron, vim do sul de Israel para um bar mitsvá, fui aprisionado durante o kidush após a cerimônia, ao menos, continuo com meu sidur e com meu kipá, enfim, tudo necessário para as orações, estou até com um cópia da torá em mãos.
-Nossa, poderia te pedir um favor? - Disse eu animado.
-Sim claro.
-poderia fazer meu bar mitsvá no próximo mês?
Seria muito arriscado, mas tentarei, acho que estou com um conjunto para orações de emergência, você não trouxe ao menos um kipá?-Perguntou o Rabi cansado.
-Não, deixei tudo em casa, não consegui pegar nada.
-Qual é seu nome filho?-Perguntou ele
-Meu nome é...-Fui interrompido por guardas que chegaram na porta e nos mandaram dormir para trabalhar cedo no outro dia.

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